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Número de usuários de crack ultrapassa um milhão no país

Alessandra Bernardo

Aproximadamente 1,2 milhão de pessoas usa crack no Brasil e a maioria começa a fumar a droga aos 13 anos de idade, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Uma pesquisa desenvolvida pela pediatra e pesquisadora do Rio Grande do Sul, Gabrielle Cunha, revela que os bebês de mulheres que usaram crack durante a gravidez apresentam, logo nas primeiras 48 horas de vida, “alterações neurológicas e comportamentais provocados pela exposição prolongada à droga”. No entanto, ela ressalta que essas crianças não são viciadas e os danos podem ser minimizados.

“No início, se pensava que esses bebês teriam má-formações e problemas graves, mas, na verdade, as alterações são no neuro-comportamento. Eles são mais irritáveis e geralmente têm dificuldade de alimentação. Mas conforme o estímulo e o tratamento que ele recebe, é possível reverter essa situação que é temporária”, ressaltou.

O estudo, realizado em 1999, apontou que 4,6% das gestantes usavam a substancia. No entanto, ela alerta que hoje, esse número possa ser, no mínimo, o dobro do registrado há dez anos atrás. “Nós não temos estatísticas nacionais sobre isso. Mas imaginamos que atualmente seja no mínimo o dobro desse percentual de 1999, tendo em vista o número de pacientes que chegam até nós”, apontou. Atualmente, cerca de 150 bebês nessa situação são atendidos pelo programa do Hospital Materno Infantil Presidente Vargas, de Porto Alegre.

Organismo devastado em pouco tempo

O crack é obtido a partir da mistura da pasta-base de coca ou cocaína refinada, com bicarbonato de sódio e água. Mas, também pode conter outros tipos de substâncias tóxicas, como cal, cimento, querosene, ácido sulfúrico, acetona, amônia e soda cáustica. Das vias aéreas até o cérebro, a fumaça tóxica do crack causa um impacto devastador no organismo. As principais consequências físicas do consumo da droga incluem doenças pulmonares e cardíacas, sintomas digestivos e alterações na produção e captação de neurotransmissores.

 

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Má qualidade de vida pode causar problemas mentais

Alessandra Bernardo

Um estudo revelou que problemas como ansiedade, depressão e uso de drogas estão relacionados à violência urbana e à falta de qualidade de vida na população brasileira. E os grupos mais vulneráveis são os migrantes que moram em regiões pobres das grandes cidades. O estudo, realizado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), Universidade de São Paulo (USP) e Universidade de Harvard, as doenças são indicativos dos problemas sociais enfrentados por quem mora nas periferias das grandes cidades, em especial, São Paulo.

Eu não me sinto surpresa com esse resultado. Se trocarmos em miúdo, veremos que o perfil clássico dessas pessoas coincide com o nordestino que vai tentar a vida nas cidades do Sul e Sudeste, de preferência, iludidos com o sonho de mudança de vida, de dinheiro fácil, mas que só encontra hostilidade e violência. Quantas vezes não vimos na Internet ou na TV relatos de agressões verbais e físicas contra esse grupo??? Quantas vezes não vimos “sulistas” desejando que os nordestinos de lá voltem para a sua terra, como se estes fossem leprosos???

Ora, gente. Não sou hipócrita, nem iludida. Essa é a realidade do Brasil. É o que os brasileiros – que adoram se gabar de serem os mais hospitaleiros do mundo, fazem com seus compatriotas que saem de um lugar pobre para um rico em busca de uma vida melhor. Adoram dizer que o Brasil é um país de oportunidades, mas quando um migrante nordestino chega à sua terra, tratam logo de hostilizá-lo, de agredi-lo, de enxotá-lo de volta ao Nordeste. Claro que não são todos, mas ainda é grande o número de quem faz isso. E pode ser que essas pessoas contribuam para o resultado desse estudo, que foi publicado na semana passada.

É muito bonito dizer que tudo isso acabaria com políticas públicas de inclusão, que a culpa é do governo, que não dá condições de vida para a pessoa viver com dignidade em sua terra, mas, gente, vivemos no país em que a corrupção reina absoluta. Onde o preconceito, a ignorância, a violência são armas usadas diariamente contra quem não tem proteção… Sabemos bem o que pode contribuir para acabar com essa realidade, mas…

 

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